sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Jogo da Vida



Jogo da Vida
[Patricia Montenegro]

Propusestes uma 'aposta',
-Um jogo: bem vindo então!-
Perigosa e arriscada,
Onde a resistência do sentimento,
Prevalece e mostra suas garras,
Arranhando a emoção,
Calando a voz do coração,
Fazendo gritar a razão,
No silencio da tua ausência,
Descubro-me pouco a pouco,
Torno-me mais forte,
-Luta interna-
Descubro meu outro 'eu',
Mas o medo predomina,
A lágrima contida,
Rola pelo meu rosto,
Camuflada pela madrugada,
Resisto a mim mesma,
Mas trago em mim a certeza,
Que és mais forte do que eu,
E nesse 'jogo' és vencedor,
-Cartas marcadas-
O tempo não passa,
-Ponteiros congelados-
O prazo não se esgota,
Nessa espera infinda,
Quero vencer o jogo da vida,
Vencer a mim mesma,
Mas não quero te perder,
E se for preciso,
Rendo-me!
E jogo pelos ares,
Essa insensata 'aposta',
-Entrego-te a 'vitória'-
Para romper o doloroso,
Silencio da tua ausência...

Rio de Janeiro, 20-01-11 - 14h 27min

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Partícula


Partícula
[Patricia Montenegro]

Fui apenas partícula,
Solta no Universo,
Grão voante,
Nunca soube,
Se eu me materializaria,
Ou quando isso ocorreria,
Nunca soube,
Quem eu seria,
Ou quem eu encontraria,
Não sabia o tempo da minha chegada,
Ou qual missão me caberia,
Mas tenho certeza da minha partida,
-Tempo incerto-
Quando serei novamente,
Partícula solta no Universo,
Apenas grão voante,
E antes da data ‘marcada’,
Preciso viver intensamente,
Cada segundo dessa minha vida...

Rio de Janeiro, 19-01-11 – 11h 54min.


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Embriaga-te!



Embriaga-te!
[Patricia Montenegro]

Quando te sentires perdido,
Beba em minha taça,
Sorva gota por gota,
O liquido que brota de mim,
Que te embriaga,
E te enche de prazer,
Misturemos as nossas essências,
Em uma única e de raro sabor
Liberta-te dessas amarras,
Entrega-te sem medos,
Grita meu nome baixinho,
Sou a tua busca maior,
A loucura que cura,
A liberdade sonhada,
O amor que temes,
Mas carregas em ti,
Embriaga-te da vida,
Que trago em mim,
E oferto para ti...

Rio de Janeiro, 10-09-10 - 22h 33min

domingo, 9 de janeiro de 2011

Entre Erros e Acertos



Entre Erros e Acertos
[Patricia Montenegro]

Talvez eu seja realmente uma alma errante,
Ou apenas uma sonhadora,
Que segue seu caminho,
Encontrando pedras,
Mas plantando flores,
Que insiste em acreditar no ser humano,
Mesmo quando ferida,
Faz renascer a ilusão,
E como criança escuta somente o coração,
Talvez eu seja dominada por essa teimosia,
Que me faz levar a palavra amiga,
Ainda que encontre o silencio como resposta,
Que estende a mão,
Ainda que braços se recolham,
E que olha nos olhos,
Quando os olhares se desviam,
Talvez eu seja apenas uma tola eterna menina,
Que transforma a lagrima sentida,
Em sorriso sincero,
Que ama e deseja ser amada,
Talvez eu seja mesmo uma alma errante,
Que pouco conhece da vida,
E da alma humana,
E sua constante mudança,
Das alegrias que nos causam,
Misturadas as tristezas e decepções,
Mas sigo meu caminho aprendendo e crescendo,
Entre erros e acertos mantenho viva a chama da esperança...


Rio de Janeiro, em um tempo já distante e também tão presente...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Não é Fácil



Não é Fácil
[Patricia Montenegro]

Não é fácil,
Desnudar minh'alma diante de ti,
Permitir que conheças meus medos,
Minhas imperfeições,
E todas as minhas dores,
E as minhas verdades,
Que não são manchadas,
Pela reinante falsidade,
E me vejas sem as máscaras,
Que jamais usei,
-Ou usarei-
Não é fácil
Despir-me diante de ti,
Deixar que vejas meu corpo,
Sem a 'maquiagem',
Que não trago comigo,
E calar-me diante de ti,
Quando tenho tanto a revelar,
E que me vejas chorar,
E penses que minhas lágrimas,
São reflexo da covardia,
Que não trago em mim,
Mas é fácil,
Permitir que olhes em meus olhos,
E mergulhes em minh'alma,
Desvendando meus sentimentos,
E me conheças de verdade,
Revelo-me e entrego-me a ti,
Mas não é fácil,
Não saber o que pensas,
Se realmente já consegues,
Saber quem sou realmente,
Na plenitude do meu ser,
-Sem censuras-
Não é fácil ser quem eu sou,
Na eterna busca,
Da 'igualdade' plena,
Em um mundo muitas vezes cruel,
Que só tem olhos,
Para a 'perfeição',
Inventada pelos homens,
Mas jamais criada,
Pelo grande Criador,
Não!
Não é fácil viver,
Mas hei de vencer,
A cada novo amanhecer...

Rio de Janeiro, 06-01-11 - 16h 32min

Minha Luz


Minha Luz
[Patricia Montenegro]

Fecho os meus olhos,
O ontem não se foi,
Faz-se ainda presente,
E pinta o futuro,
Com belos matizes,
Que anunciam aos ventos,
Esse desejo intenso,
De [re]viver esse instante,
Tão mágico e encantado,
Que não pode ser tocado,
Apenas sentido na alma,
E guardado no tempo,
A noite chega mansamente,
Minha lagrima escondida,
Mergulha no verde mar,
E misturam-se as suas ondas,
E são levadas para o infinito,
Estás tão perto de mim,
-Dentro de mim-
Olho-te com devoção,
-Amo-te-
Adormecido como um menino,
Deslizo meus dedos,
Pelos teus caminhos,
E pelo teu rosto sereno,
Sinto os sonhos que navegam em tua mente,
Beijo tua boca delicadamente,
-Quente como o sol-
Teu corpo estremece em arrepios,
Afasto-me lentamente,
Nada pode quebrar o encanto,
Desse mágico momento,
Tu és a minha força maior,
A luz que ilumina minh'alma,
E essa natureza de rara beleza,
Saúda o nosso [re]encontro,
E anuncia que nossas vidas,
Estão unidas pelos laços,
Indissolúveis da eternidade...


Rio de Janeiro, 29-12-10 - 12h 38min.



segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Nostalgia



Nostalgia
[Patricia Montenegro]

Junto com o dia,
Que se despede mansamente,
Nasce dentro de mim,
Essa nostalgia,
-Que não sei de onde vem-
Dos momentos vividos,
E dos que me foram furtados,
Trago em mim,
Essa lágrima presa na garganta,
Que cala minha voz,
Perco o meu rumo,
A coragem adormece,
E o medo prevalece,
Chamo-te em silencio,
-Escuta-me!!!-
Preciso do teu carinho,
Da tua força,
Dessa luz que somente tu tens,
Que ilumina minha alma,
E me devolve o sorriso,
E me faz seguir em frente,
Sinto falta do teu olhar,
-Desvendando minh'alma-
Das tuas mãos nas minhas,
Do teu sorriso,
-De menino levado-
Da tua voz,
-Que me guia-
Que me acalma,
E me arrepia,
Ouça-me!
Atenda o meu chamado,
Arranca de mim essa dor,
Essa nostalgia,
Que só não sinto,
Quando estou junto a ti,
E quando te sinto junto a mim...


Rio de Janeiro, 17-12-10 - 18h 35min

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Quando Finda o Dia


Quando Finda o Dia
[Patricia Montenegro]

Sentada na varanda,
Observo o dia que finda,
O sol pinta de laranja o céu,
E ilumina a noite de vermelho,
Deixo que a brisa fresca,
Envolva meu corpo,
Curando as minhas feridas,
Beijando minhas cicatrizes,
Sinto-o arrepiar,
Nesse mágico instante,
O tempo parece parar,
Não existem mais as dores,
Tudo é encanto,
O silencio só é quebrado,
Pelas ondas do mar,
Que afoitas deitam sobre as pedras,
-Estrelas por testemunha-
Em carícias ritmadas,
A noite traz a saudade,
Do dia vivido com intensidade,
Feito de sorrisos,
E flores espalhadas pelo caminho,
Aromas e sabores,
Alegrias e sonhos,
Onde o tempo não importa,
E os olhos só vêem encanto,
Sentada na varanda,
-Iluminada pelo luar-
Olhos marejados,
Acariciada pelo vento,
Escuto somente meu coração,
Meu pensamento voa sem direção,
Sou alegria misturada com nostalgia,
Sou feita de saudade,
Minha companhia é a solidão,
Mas sou sempre esperança,
A espera de um novo amanhecer,
Quando finda o dia...

Rio de Janeiro, 14-12-10 - 19h 54mim

domingo, 28 de novembro de 2010

Missão



Missão
[Patricia Montenegro]

Sempre soube,
Que trazia dentro de mim,
Uma missão,
-Não sabia qual-
Para ser cumprida nesse tempo,
Que todas as dores,
Vividas até então,
Deveriam ter uma razão,
Nunca me abati,
Sempre fiz delas,
Minha força maior,
Mesmo quando a escuridão,
Fez-se presente insistentemente,
Busquei a luz dentro de mim,
Sempre soube,
Que eu trazia dentro de mim,
Uma missão,
-Uma cura-
E quando meus olhos,
Tão puros e transparentes,
Encontraram enfim os teus,
- Tristes e esperançosos-
Eu soube enfim,
O que me fora [pré]destinado,
Que a força que sempre,
Trouxe comigo,
-Em cada cicatriz-
Era para curar-te,
Devolver-te as asas arrancadas,
Ser teu vento,
-Liberto-
Para que pudesses enfim,
Livrar-te dos teus fantasmas,
E tantos medos,
Que te atormentam,
-E perseguem nas madrugadas-
E te impedem de ser feliz,
De amar como mereces,
De ser amado como desejas,
Estou tão perto,
De resgatar a tua vida,
Mas enfraqueci,
Uma lágrima cega,
Meu caminho,
-A da dúvida-
Suplico-te!
Agora chegou a tua vez,
Ajuda-me a cumprir minha missão,
Não me deixe partir,
-Não me deixe sozinha-
Cuida bem de mim,
-Com lealdade-
Seja meu guia,
Para que eu cumpra enfim,
-Nesse tempo-
A minha missão,
-Devolver-te a vida-
-Não quero errar-
E que ela não seja,
Apenas um engano,
Mais uma decepção,
Para eu carregar,
Pelos infinitos tempos,
Que ainda está porvir...


Rio de Janeiro, 28-11-10 - 18h 06min











* Desabafo de uma alma em conflito...*

Sonhei



Sonhei
(Patricia Montenegro)

Um dia sonhei,
Que poderia ser poeta,
E por meio de versos,
Meu amor declarar,
Seria apenas mais uma poeta,
Perdida na multidão,
Protegida pelo desconhecido,
Buscando sentimentos escondidos,
Alguns tão mal compreendidos,
Acreditando que é possível amar,
Onde o medo não existiria,
Até o dia que na calçada deserta e fria,
No silencio da noite escura,
Encontrei outro poeta,
Perdido em seus versos,
E de seu olhar não pude escapar,
A ele entreguei meu coração,
Acreditei em seu 'amor',
E pensei até mesmo poder ser sua musa,
E que seus versos de amor poderiam ser meus,
Deixei-me levar por um caminho de flores,
Onde não existiam dores,
Mas o sorriso de menina,
Transformou-se em lágrimas de mulher,
Ao descobrir que um poeta tem vários amores,
Ainda que diferentes são muitas as suas musas,
E os seus versos não pertencem a ninguém,
Somente a ele próprio,
Escritos nos momentos de solidão,
Sendo impossível conquistar seu coração,
Ele precisa dos seus versos,
Enquanto eu preciso apenas do seu amor,
Não! Poeta não sou,
Visto apenas a sua fantasia,
Para escrever versos de amor,
Para declarar o meu amor,
Ao poeta que encontrei em uma noite fria,
E para sempre o meu amor conquistou...


Rio de Janeiro, em uma madrugada insone de um tempo eterno